Zônia

Esse corpo quente

de onde no ventre

produz substância

e riqueza

 

Onde cada índio

o riso na boca

entre cânticos e rituais

defendem tuas células

vitais

 

Eu não posso te perder

Amazônia

não te percas de mim, Amaz

Zama, Ama, Zona, Nia

sou caule do teu corpo

esse latifúndio

agora se contraindo

 

Não encolhes por quereres

eu sei

É culpa de quem te consome

O ciumento e obsessivo

não aceita a rejeição

Ele não te ama

apenas te subjuga

explora e extermina

cada átomo

dos teus amálgamas

 

Deito no regalo

das tuas gotas

águas e vapores

és folha se abrindo em sorriso

teu corpo perfuma

o planeta

renova e cura

 

Saudemos a Amazônia

me ama, Ama, te amo, Zônia

 

Em tua zona

só corro perigo

de mais viver

 

Em tua zona

feito lenda

sou flecha a percorrer

tua ancestral harmonia

 

Eu deliro quando queimas

ensurdeço quando ferem

o nascedouro de tuas entranhas

ferros fincados

no coração do teu ventre 

ferem a minha carne

 

Zônia

eu te quero, Nia

não te quero vã

tu não podes findar

definhando feito carne que se come

© 2020 por MÁRCIO RABELO. Orgulhosamente criado para quem gosta de ler ou se dedica à educação e às artes.

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