Haverá

vão estranhar

 

o meu silêncio

é protesto

 

mas não sabem

 

e detesto

forjar

o grito

feito quem reza

em aflição

 

sou dos estranhos

navego em águas

sentimentais

 

e minha voz

que não sai

não é silêncio

abstraído

 

não se engane

nem julgai

 

esquecestes meu olho

minhas linhas

neste rosto?

esquecestes minha têmpora

o encolhimento

desta ruga?

desmereceu a expressão

congelada

na face?

não percebeu o grito

calado

de horror?

há quem urre

há quem chore

em desertos astrais

 

há quem na cara

estampe a raiva

toda a garra

temporais

 

sou das tréguas

só para o bem

só para o além

de agora

 

sou trégua

para a humanidade

futuramente

delineada

 

sou água

pedra

e planta

a esperar

 

esse dia

humanidade

essa glória

há de haver

 

haverá

© 2020 por MÁRCIO RABELO. Orgulhosamente criado para quem gosta de ler ou se dedica à educação e às artes.

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